Vanessa Ruiz |
Gente, jornalista antes de (quase) tudo e educadora voluntária. Apaixonada por pessoas, por boas histórias, pela natureza, por conhecer gente-coisas-lugares novos. Continuo achando que vocês ainda vão me visitar em um bangalô (com notebook e internet, é claro, porque também sou 'tech freak'). Editora-chefe do site Tazio (http://tazio.com.br). Recentemente, um tempo bom na revista ESPN. Num passado não tão distante: quatro anos de CBN e Rádio Globo, uma breve passagem pelo portal Terra e estágio nas TVs Record e Gazeta. O diploma é da Faculdade Cásper Líbero. http://about.me/vanessaruiz |
A voz da estudante, que se diz de Jornalismo, comemora enquanto gravando o vídeo publicado no YouTube: “O Crusp sitiado como nos tempos áááureos da ditadura!”. Em seguida, a voz adolescente de dona não identificada diz aos policias que fazem uma barreira em frente à moradia: “Eu sou mulher! Eu estou sendo violentada!”. Oi?
Eles têm o direito de não querer polícia no campus? Claro que têm, assim como há um outro movimento que não vê motivos para a saída da PM levando em conta as questões da segurança.
Aí, eu me pergunta: por que não levantaram, então, a bandeira de um movimento anti-situação geral da PM? PM truculenta na periferia pode, no campus não? Falta visão, falta mesmo, digo sem medo. Que grandes movimentos sociais, intelectuais, a comunidade da USP tem protagonizado nos últimos tempos para se preocupar com a repressão a este tipo de ação? Cadê os alunos e professores da USP enquanto tudo em volta se despedaça? Enfim, a lista de possibilidades de luta é enorme e vai aumentando a sensação de que há uma certa ingenuidade pairando sobre as cabeças dos rebeldes. —-> Legenda: isto é uma provocação E uma cobrança.
Não é questão de lado*. Se há criticas ao movimento — falo por mim —, é porque os estudantes mostraram o tamanho do potencial que têm. Conseguiram chamar a atenção. Que usem este poder em causas que efetivamente mexam com o comando da cidadela e outras que ultrapassem seus portões.
Usar o tempo, a força, a juventude na construção de um país dignamente habitável, coisa que o Brasil é cada vez menos. O país afunda enquanto nossa economia cresce. Levantar a cabeça, ampliar o campo de visão, enxergar as raízes dos problemas e atacar bem ali, usar a ciência que tem do poder que carrega para criar algo maior.
*Aliás, já deu esse negócio de chamar de reacionário quem aponta falhas, segundo a sua opinião. Quem não sabe o que a palavra significa e/ou não sabe lidar com críticas, tem duas soluções: dicionário e psicólogo.
Um pensamento: Há alguns dias, um amigo educador, atuante em advocacy, me disse assim: “Pode me chamar pra ação social, botar a mão na massa, qualquer coisa. Mas não me chamem pra passeata”. É fato que eu me encaixo mais na primeira turma do que na segunda e, isso, depois de muito testar — fui presidente do Grêmio Estudantil, andei do ladinho do pessoal do PCdoB, e descobri que meu negócio é fazer, não causar. Só que eu vejo que “causar” tem o seu valor. Há momentos em que é preciso chamar atenção mesmo, provocar debates, ainda que gerem rancor. Mas que seja por uma causa maior. Que seja para o bem de mais do que mil pessoas encerradas em necessidades individuais.
Posted via email from ENTRELACE v2.0 por Vanessa Ruiz | Comment »